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Eu preciso de um marido se tenho somente 3 anos?

A novidade da semana foi um vídeo postado na internet em que uma mãe questionava a filha Cecília, que  tinha no máximo 3 anos de idade, sobre a sua afirmação de precisar de um marido (http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2015/12/04/video-de-menina-pedindo-marido-levanta-discussao-sobre-excessos-dos-pais.htm).

Antes de dar minha opinião, quero fazer uma defesa da mãe – que eu acho que foi quem gravou o vídeo. Não senti que a mãe da criança estivesse sendo pejorativa ou estivesse visando situações sensuais da pequena criança. Acho que ela achou a situação engraçada, zoada, e revolveu postar, apenas com o intuito de ter achado a situação engraçada, mas sem nenhum outro pensamento por trás.

Bom, o vídeo é claro. A pequena Cecília é insistente em dizer que precisa de um marido, que vai procurar por um na escola e que ele será pequenininho igual a ela.

Pela simples conversa da Cecília, a gente percebe que ela não entende de nada mesmo, que apenas repete uma situação que ela ouviu ou que assistiu de outras pessoas. A nossa pequena é completamente fora da realidade quando ela explica o seu porquê.

Isso é positivo, pois percebemos que a criança não foi contaminada por teorias e discursos de adultos, ou seja, ainda é uma conversa infantil sem fundamentação.

Mas por quê temos que evitar esse tipo de postura nas crianças? E por que o vídeo foi tão condenado por especialistas de educação infantil e saúde  infantil?

Inicialmente, a mãe pecou em algumas angulações no vídeo da pequena. Esse descuido gerou alguns momentos de exposição física da criança que são completamente desnecessários e – algumas vezes – de risco, pois a pedofilia está em todos os lugares.

Esse alerta vale para todas as pessoas que se utilizam de vídeos na internet. Ficamos eufóricos e distraídos com todo o processo e deixamos escapar pequenos detalhes que no final afetam violentamente toda a obra.

Imagino que focaram na conversa com a Cecília, nas reações dela, mas, esqueceram de prestar atenção na movimentação da pequena, que acabou se expondo algumas vezes.

Outra observação é quanto a questão da autoestima, da formação da personalidade e da questão da independência do ser humano, mais especificamente da mulher, um tema tão comentado e tão estudado nas últimas décadas tanto no Brasil quanto no mundo.

Quando você semeia desde cedo que  criança precisa de uma companhia para a vida, para poder viver, estamos ensinando que ela não caminha sozinha, ou pior, que se estiver vivendo sozinha – ou seja, sem um companheiro -, ela é incapaz.

O que ocorrerá com essa criança? Ela terá como objetivo de vida e de felicidade encontrar uma outra pessoa para ser seu companheiro(a). Até aí podemos até  dizer até que foi uma escolha, mas e se essa pessoa desistir de qualquer outro plano maior, de um sonho, de uma grande conquista pessoal  em troca de um aventureiro amoroso qualquer? Sim, porque a felicidade foi condicionada apenas a uma relação amorosa, grandes conquistas ou objetivos não são valorizados porque não incluem um companheiro… e mais sério ainda, se a aceitação desse companheiro incluir voluntariamente a negação do amor. Viver com alguém que não se ama, não se realizar de outra forma e ser infeliz…

Por esse motivo devemos ser assertivos com nossos filhos. Sejam homens ou mulheres. Devemos mostrar a eles todas as possibilidades, que eles têm capacidade para ser tudo que querem e que o encontro amoroso pode ou não acontecer, mas que a felicidade não é vinculada a esse encontro.

Em outro momento, no diálogo com a mãe, a Cecília comenta que a mãe tem um marido e que por esse motivo está na frente dela, como se houvesse uma competição entre a mãe e a filhota, e a Cecília está perdendo o jogo.

Sem imaginar, a mãe está incentivando a disputa entre as duas, a concorrência. No futuro, pode acontecer da filhota se comparar o tempo todo a mãe, e apresentar sinais de rejeição em relação a mãe ou mesmo ciúmes tolos, como por exemplo, você comprou essa saia para você e não comprou para mim, ou comprar uma blusa e esconder da mãe para que ela não compre uma outra blusa também. Enfim, sem a menor intenção pode ser plantada a ideia da competição entre pessoas que se amam sem elas nem se darem conta.

E para não me estender mais, o que hoje é engraçadinho, pode não ser no futuro. Me lembro que algumas vezes achava que minha filha fazia coisas engraçadas e eu ria muito e contava para os familiares em tom de piada. E a minha filha não curtia, pois para ela a piada era assunto sério. Aprendi depois a respeitar o direito a privacidade da vida dela e ao verdadeiro sentido que ela dava aos acontecimentos. O que para mim não era nada, era tudo para ela. Talvez o choro da Cecília tenha sido real. Talvez a Cecília precisasse de um afago e de palavras doces lhe transmitindo confiança e que ela era independente, livre e linda. Vale a pena se colocar no lugar do outro algumas vezes.

Bom, era isso.

 

 

 

 

 

 

 

Como falar das notícias dos jornais com as crianças?

eles_sao_mausEles são maus (Foto: Reprodução)  – http://www.canalplus.fr/c-emissions/c-le-petit-journal/pid6515-le-petit-journal.html?vid=1331026

Um assunto que tomou a semana foi o ataque terrorista do grupo ultrradical Estado Islâmico em Paris. No mesmo momento somos atacados também pelas mais diferentes opiniões possíveis. O estado é democrático, então as opiniões são positivas.

Acompanhando a onda do medo dos atentados, as pessoas começaram a demonstrar publicamente os seus medos e em consequência uma intolerância em relação a todas as pessoas que eram da religião muçulmana.

Nossa roda familiar, de amigos, pais na porta da escola, jornais, noticiário, internet. Todos os lugares encontramos o mesmo assunto e as crianças recebendo informações irregulares e desencontrada vinda de todas as pessoas.

Causou-me surpresa e emoção a forma que um pai conversa ao vivo com seu filho, um menino de no máximo uns 4 anos de idade. O repórter pergunta o que ele achava de tudo aquilo, de toda aquela violência e ataques que aconteceram em Paris (http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/bombou-na-web/noticia/2015/11/os-atentados-de-paris-pelos-olhos-de-uma-crianca.html)

O pequeno, embora ainda assustado com todo o clamor dos acontecimentos, diz que os terroristas são homens maus, que têm armas e que a família dele, agora, teria que se mudar.

Observamos nas respostas do menino que ele está assustado, com medo, e já identifica a diferença entre o bem e o mal. E mais ainda, os riscos que a situação pode trazer.

Obviamente o pequeno não tem a noção dos fatos. Responde pelo que entendeu e pelo medo que sente, medo que pode acontecer com a sua família que é o núcleo de vida que ele possui.

É muito triste ver que crianças tão pequenas tenham que lidar com a violência das armas, com mortes violentas. Que elas precisem processar os fatos e concluir que a violência existe e na sua forma mais brutal. Quando me refiro a essa situação, não posso deixar de frisar que a sociedade brasileira convive com esses fatos em todos os lugares, mais especialmente nas regiões menos favorecidas como favelas e periferias. Criancinhas pequenas sabem os termos utilizados pelo tráfico de drogas, sabem diferenciar os diferentes armamentos e muitas vezes assistem as conversas entre os malfeitores.

Mas voltando a nossa entrevista com o pequeno francês…

Quando o pequeno fala em mudar de casa, o pai interfere e diz que não haverá necessidade de mudança, sua fala é suave e confiante, sem ódios. Ele acalma o filho explicando que apesar de toda violência, eles não iriam se mudar, não era preciso. O pequeno rebate dizendo que “eles”, os terroristas são maus e têm armas. O pai com suavidade explica que homens maus existem em todo lugar e que não adianta tentar se mudar acreditando encontrar um local mágico somente de pessoas boas.

O pai, dando toda a dimensão da tragédia, visto que o menino já havia entendido a gravidade da situação, explica que no local onde a violência aconteceu, as pessoas colocavam flores e velas em candelabros, argumentou que as velas são para lembrar das vítimas que haviam morrido e que as flores eram as armas das pessoas de boa vontade e de nobre coração. Que ao invés de pegar em armas, essas pessoas boas fariam uma onda de solidariedade, uma corrente do bem visando se defender dos acontecimentos.

Como uma criança que tem compreensão dos fatos, o menino retruca dizendo que flores não protegem as pessoas contra as armas. E o pai, sabiamente, diz que sim, que protege. O vídeo termina com um menino desconfiado repetindo que flores e velas protegem as pessoas de bem, mas embora desconfiado, ele é afirmativo e confia na informação do pai.

Está certo esse tipo de abordagem à matérias reais de mundo?

Como você – pais, avós, educadores, pessoas comuns agiriam se estivessem nessa situação?

Ouvi diversos comentários que o pai faltou com a verdade com o filho. Que mentiras não passarão, que o filho perderia confiança no pai.

Li também sobre pessoas que foram tocadas no coração pelo exemplo de bondade, pela sabedoria do pai, pelo fato do adulto não plantar o ódio e nem a ideia do revanchismo no filho.

Mas o que eu penso deste fato?

Crianças pequenas não devem ser educadas na dureza da vida. O mundo se encarrega de paulatinamente dar essas doses de dureza para todo mundo.

Porque deveríamos querer que os professores falassem dos problemas do mundo? Precisamos plantar amor e através dele as soluções.

Crianças não podem crescer na rudeza, pois se acostumam e se tornam também rudes diante da vida e das pessoas. A educação tem que ser pra o amor, para a fraternidade, para a ajuda ao próximo, e claro, dentro das leis e dos procedimentos de justiça e ética.

Então, de que adiantaria ao pai explicar que terroristas islâmicos armados com ak47 e com cinturões de explosivos causaram muitos danos  e mataram muitas pessoas? Vamos ensinar nossos filhos a conviver normalmente com a violência e achar isso normal? Formaremos adulto frios e insensíveis às dores do mundo? Daremos entendimentos – que nem adultos conseguem entender – aos pequenos de forma que criem suas próprias opiniões – normalmente sem fundamentação histórica ou científica, visto que nem tem idade para tanto?

Acho que não. Devemos proteger as crianças e ensiná-las pelo amor e pelo bem-querer. Devemos ensiná-las a amar e serem amadas, que elas cresçam se sentindo acolhidas e com confiança. Que seus crescimentos sejam baseados em fazer o bem e não semeados por ódios e preconceitos. Para que isso aconteça só é preciso respeitar a idade de cada um, suas histórias e a compreensão de que o bem é muito melhor do que o mal, e que o bem é que deve vencer, e vencerá numa sociedade de pessoas equilibradas e pro bem.

Simples assim.

Então é fácil de compreender porque o pai disse carinhosamente para o filho que as flores e as velas venceriam os homens maus. Sim, porque os homens bons não se tornarão iguais ao maus, e por isso a maioria do mundo será composta por pessoas de bem e que lutarão para que ninguém mude de casa, seja expulso de seu país, perca alguém que ame por causa d violência.

Plante o amor no coração dos pequenos para termos uma geração de boa energia e amor.

 

 

 

 

Comportamento explosivo na escola, como lidar?

http://agazeta.redegazeta.com.br/_conteudo/2015/10/noticias/brasil/3913134-video-de-crianca-destruindo-sala-dos-professores-causa-polemica-na-internet.html

children-playing-grass-4867735.jpgEm outubro fomos tomados pela notícia de um vídeo de uma criança de 7 anos de idade que num ataque emocional destrói  e revira os móveis da sala dos professores de uma escola pública na cidade de Macaé, Rio de Janeiro.

Tenho várias considerações a fazer. Óbvio que criança, educadores e pais têm culpa e também todos têm atenuantes, mas o que acho mais proveitoso disso tudo é o debate e a discussão e apresentarmos atitudes diante da situação.

No vídeo, o pequeno estudante está descontrolado, arremessando livros, cadeiras e lápis em todas as direções.

De outro lado temos uns 5 educadores confusos, sem saber como lidar com a situação. Dois deles tentam em momentos diferentes conter a criança, mas são contestados por uma voz que diz que não é para tocar na criança.

Meu entendimento é claro. O medo tomou conta dos educadores. O risco de processos judiciais e de ser acusado de violência infantil foi maior que o amor e a vocação para a educação.

Vou detalhar o porquê de tanto medo e também apresentar soluções simples, baseadas simplesmente no amor, no respeito, no dever e na compreensão, visto que nosso “pequeno delinquente” tem 7 anos.

A primeira é que o correto seria o educador agachar perto da criança para estabelecer o patamar de comunicação de olhos nos olhos, de mesmo nível, mesmo que o educador saiba que ele é que é a autoridade, que ele está no comando. Essa atitude de nivelar com o aluno lhe causa a impressão de amizade (que na verdade existe), de confiança. O aluno ouviria o que o educador teria a dizer. Óbvio que o momento é de estresse e não adianta dizer ao pequeno uma ladainha de regras, a criança precisa ser acalentada, acalmada. Um diálogo franco e honesto, com voz tranquila, mas firme, sem mentiras ou acusações. Isso tiraria o foco da ação da criança, ela se desarmaria por alguns minutos e seria o momento do educador – com carinho – convencê-lo a ir a outro lugar ou acompanhá-lo em outra atividade.

Ok, mas e se a criança fosse relutante e revidasse de forma brusca à abordagem? Bem, nesse caso temos que usar de nossa autoridade, não podemos deixar uma criança pequena depredando nada! Valeria nesse caso uma contenção de ação com uso de força proporcional ao tamanho da criança, ou seja, uma contenção equilibrada para evitar mais danos e estragos, porém sem atingir a integridade física da criança (não falo integridade mental porque pelo simples fato de ser contrariada, sua integridade está sendo atingida). E se o recurso da filmagem nesse momento puder ser utilizado, melhor ainda, pois serve de prova de que o educador não abusou da força. Segurar pelo braço de forma a conter o pequeno ou induzi-lo a ficar num local mais restrito, sem móveis ou objetos também é uma ideia.

O comportamento do menino na escola ao longo do tempo sempre foi exemplar, a mãe relata que nunca recebeu comunicados de indisciplina da criança e os professores reforçam esse comportamento. No vídeo me pareceu bem claro que o garoto estava descontrolado, mas não era algo agressivo e raivoso, me parecia algo por mal comportamento mesmo, como se alguma coisa o tivesse afetado e ele não sabia como reagir, por isso não consigo dizer – como muitos afirmaram – que se tratava de um futuro delinquente.

O professor é o líder, ele se preparou para educar e controlar essa massa de pequenos estudantes, logo, ele não pode ser reprimido em suas ações profissionais e humanas por um pequeno menino como vimos no vídeo.

Bem, vamos ao outro lado. O ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente que tem boa intenção, ma foi mal formulado em alguns artigos e pessimamente aplicado em outros.

Toda essa ingerência dos profissionais de educação vem do vácuo do ECA em relação aos deveres das crianças, em relação a limitação do poder de autoridade do adulto, da falta de especificações de cada inciso do estatuto e do excesso de aberturas que ele proporciona se tornando um terreno fértil para processos na justiça requerendo tudo.

Lembro do caso de uma mãe que entrou na justiça contra um professor pedindo danos morais porque o professor retirou o celular de seu filho, pois o menino escutava música com os fones durante a aula (http://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/aluno-processa-professor-por-celular-retirado-em-sala-de-aula-perde-12718573). Como uma mãe pode agir assim? E que excesso de autoridade a ponto de constranger essa mãe viu no fato? Foi apoiada por um artigo do ECA e foi à justiça, entretanto o juiz razoável e não lhe deu ganho de causa.

Mas voltando ao caso dos professores se sentirem reféns do ECA.

Ao analisar algumas partes do estatuto, a gente verifica que alguns termos são vagos e deixam uma livre interpretação.

Por exemplo:

o artigo 5 – Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais;

ou o artigo 232 –  Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento: Pena – detenção de seis meses a dois anos.

ou o  Capítulo IV – Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer no seu artigo 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes:
I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II – direito de ser respeitado por seus educadores.

Todos os artigos me parecem razoáveis para pessoas razoáveis, de bom-senso, entretanto advogados, pais, juristas e profissionais de toda a espécie dão a conotação que querem e o resultado foi um estatuto cheio de direitos e aberto a todo tipo de processo judicial.

Muitos dirão, vai a justiça e prova que você tá certo. Sim, esse é o caminho, entretanto para uma pessoa de bem, o simples fato de ter que se defender na justiça já é uma punição enorme.

Em resumo, precisamos ajustar, ou delimitar o que pode ser considerado ou não vexatório ou ameaça a integridade. Uma contenção proporcional ao tamanho da criança na situação ilustrada, não pode ser considerada uma afronta ao ECA… bom-senso, precisamos de bom-senso.

Bom-senso também ao não divulgar à mídia o rosto da criança, que foi facilmente identificada. Nesse momento ela foi exposta a situação sim vexatória. O vídeo poderia ter sido feito para resguardar a postura dos profissionais, para mostrar o comportamento da criança, mas jamais para expô-la ao julgamento público. Nesse ponto erraram – e feio – com a divulgação do vídeo nas mídias sem a proteção da identidade da criança. Nesse momento, infelizmente, os educadores pecaram mais uma vez, mas dessa vez com conhecimento da causa e traindo de forma primária os princípios da educação. Caberá a justiça, nesse caso, fazer justiça.

E finalmente, meu parecer é que não podemos desistir de uma criança de 7 anos. Li muitas pessoas serem afirmativas no sentido de dizer que o pequeno era um marginal, que seu destino era esse. Não é verdade. A criança estava na escola,é o momento da correção, de aprender, de se educar. Que povo é o nosso que desistem de um moleque de 7 anos de idade que nunca tinha tido no currículo uma anotação por indisciplina? Menos, gente, menos rigor e mais amor!!!! Com 7 anos ainda há uma vida para acertar, vamos ter fé! Vamos acreditar e vamos fazer.

Nota:  tudo que foi escrito nesse post vale com crianças pequenas, adolescentes requerem formas diferentes de atuar e conter.

 

 

Meninos não são hiperativos e nem são “meninas defeituosas”

O objetivo desse post é colocar sobre uma situação curiosa que assisti. Os personagens dessa cena são: um menino de 6 anos, sua mãe, seu pai e um profissional de educação de uma escola. Antes de mais nada, eu não sou contra nenhuma formação da área educional, pelo contrário, todos eles são de muita valia em diversas situações, mas a cena em questão envolve pessoas que eu conheço e uma criança que não tem problema algum de comportamento ou aprendizagem, inclusive não possui atendimentos comportamentais na escola. O cenário que descreverei demonstra apenas uma falta de entendimento por um profissional de uma atitude de uma criança, uma situação que tem se tornado corriqueira nas escolas atuais

Pois na reunião de entrega dos trabalhos, os pais foram surpreendidos pela avaliação negativa em cima dos desenhos que o filho fazia. Ele desenhava dinossauros e os dinos pisavam em cima dos seres humanos… ao longo da trilha haviam alguns desenhos de corpos “esmagados” pelo chão. A avaliação desse profissional era de que os pais deveriam reforçar os valores de sociedade, de humanidade, de respeito entre os seres humanos etc. Os pais ficaram surpresos porque o filho tem comportamento normal e nunca apresentou qualquer comportamento desrespeito  com ninguém, muito menos havia recebido qualquer comunicado da escola quanto a esse comportamento, o filho sempre fora uma criança obediente.

Em certo momento da conversa, o caminho tomado foi de que os desenhos deveriam ser menos violentos e agressivos e foram comparados com paisagens e desenhos de animais cor de rosa e com a asas, especificamente pôneis. Meus amigos entenderam que os trabalhos do filho estavam sendo comparados aos lindos e fofos trabalhos das meninas.

Ponto-chave. Meninos são meninos. Meninos não pensam como meninas. Não agem como meninas. “Meninos não são meninas com defeitos”. Tirei essa comparação de uma apresentação de Christina Hoff Sommers, uma filósofa americana, que tem apresentado uma visão muito interessante sobre comportamentos humanos, principalmente os infantis.

A confusão do profissional foi identificar um problema em um desenho característico de um menino sem problemas comportamentais diagnosticados, um guri normal de 6 anos. Oras, ele brinca com seus dinossauros, nada mais normal do que imaginá-los na Terra, um planeta povoado por humanos, e como os dinos são muito maiores, não vejo muita falta de lógica nos humanos sendo pisados, ok, esmagados. Toda essa situação imaginada fazia sentido dentro do contexto do pequeno menino.

Não podemos esperar que um guri seja igual às meninas em tudo. Não pode. Tem momentos que serão diferentes. E se o mundo das meninas é mais calmo e fofo, não podemos querer que todos os meninos se enquadrem nele, aliás, a maioria absoluta não se enquadrará. Eles vivem o mundo deles que é composto por dinossauros, monstros, piratas, algumas lutas e muitos carrinhos. As brincadeiras são mais agitadas, pois a luta e  os monstros são mais ativos que as bonecas e cavalinhos mágicos. Os meninos por isso se movimentarão mais, correrão mais, irão suar mais e consequentemente, óbvio, nessa idade, a maioria será mais agitada, mas não hiperagitada.

Me lembro do filho de um amigo meu que queria brincar de luta comigo. Cada um de nós tinha poderes especias e ele toda hora criava um novo poder, realmente ele imaginava o poder novo com uma rapidez que eu não acompanhava

Famosos filmes japoneses onde meninos amam os dinos.

Famosos filmes japoneses onde meninos amam os dinos.

Eu não sabia brincar daquilo, estava desesperada. Até que aceitei covardemente me render a um tiro imaginário e morri. Ufa, me libertei da brincadeira. O problema era eu, a brincadeira era normal… apenas eu não sabia brincar daquilo, não pertencia ao meu mundo. Inicialmente critiquei a chatice de monstros lutando entre si, depois entendi a delícia que era o combate entre os amigos. É preciso conhecer para entender.

Os interesses dos meninos são diferentes. Ele quer jogar futebol com o amigos, quer jogar o videio game (sempre aos gritos, com momentos de vibração e excitação). Daí confundimos essa fase da idade deles com falta de comprometimento, que as meninas amadurecem mais rápido, que são péssimos líderes (os grupos de meninas sempre apresentam trabalhos mais cheio de detalhes, os meninos – é facil de comprovar – fazem de última hora, de qualquer jeito e a maioria nem tá ligando muito para a  nota), que tem menos gosto para a leitura (mas a verdade é que os livros para meninos tem se tornado best sellers agora, o público “meninos” passou a ser considerado nos últimos anos). Fala-se que meninos são desorganizados, mas as meninas também são, só que são menos citadas.

O que quer concluir? Que os meninos não podem ser comparados com as meninas pelo simples fato de serem, na maioria absoluta das vezes, diferentes. Que meninos têm interesses diferentes, que por hora parecem menos interessantes, mas o são para quem avalia, não para eles que vivem a história.

E o fato dos meninos correrem e suarem e por vezes terem menos cuidados com os trabalhos escolares e roupas não significa que são hiperativos ou desleixados, mas sim que uma fase da vida deles é assim… daí eles crescem e se tornam pessoas adaptadas à vida escolar.

Não vamos julgar nossos meninos e nem compará-los.

A verdade é que não é fácil ser menino hoje em dia!

Fantasias de dinossauros, os pequeninos adoram e consideram seus super-herois.

Fantasias de dinossauros, os pequeninos adoram e consideram seus super-herois.

12 de outubro. Cadê as crianças no parquinho mostrando seus brinquedos novos?

Dia 12 de outubro, 10 horas da manhã, Praça dos Namorados em Florianópolis. Sol morno, algumas crianças pequenas brincando… mas cadê as maiores… de 3 anos para cima? Acompanhei a ciclovia na Beiramar e os pontos de fluxo de pessoas nessa região… não vi bicicletas cor de rosa, não vi skates do homem aranha, não vi patinetes e nem bonecas desfilando em carrinhos feitos para elas.

Eu tinha saído de casa imaginando a carinha de felicidade da gurizada com sua novas aquisições, estava ansiosa para passar em frente ao parquinho da pracinha e me deliciar com a felicidade delas. Não vi nada.

Daí eu fiquei me perguntando o porquê disso? Nunca tinha visto uma data festiva infantil sem que elas estivessem participando da festa.

Pensei…

Será que a violência das cidades impede que pais e filhos possam desfrutar de momentos de lazer e comemoração juntos?

Será que as crianças estão sendo presenteadas com equipamentos eletrônicos e games e por isso não precisam sair de casa?

Será que momentos entre pais e filhos estão superados?

Em resumo, queria entender. Senti saudade do tempo que a gurizada desfilava com bonecas, carrinhos de controle remoto, skates e patins.

Com tudo isso que aconteceu, fiquei pensando e concluí que é impossível negar às novas gerações os aparatos tecnológicos, mas lutemos – como pais – por qualidade de vida, por sanidade emocional e comportamental… os pequenos precisam correr, suar, pular, subir e descer de escorregas, andar de bicicleta, cair de patins e do skate.

Equilíbrio nas compras para os pequenos e movimento corporal são as peças

Praça dos Namorados num dia qualquer do ano. A pracinha fica cheia de crianças.

Praça dos Namorados num dia qualquer do ano. A pracinha fica cheia de crianças.

Crianças: Livros de contos de fada x Livros da realidade social

Li esses dias sobre uma coleção de livros chamada Antiprincesas, que objetiva incrementar ao leque de leitura das meninas a biografia de líderes sociais das Américas.

Inicialmente não acho educativo e justo o nome da coleção: antiprincesas. Quase toda menina pequena curte as histórias de princesas, então porquê essa agressão às pequenas leitoras? Não é porque as biografias apresentadas são de mulheres politicamente decididas que temos que passar as crianças esse sentimento de total desprezo ao que elas curtem, ou mais ainda, de total revolta e angústia por elas gostarem daquilo que a gente não gosta. Talvez o nome mais justo para a Coleção fosse Mulheres Fortes, Mulheres Guerreiras… mas não o título escolhido.

Em relação às biografias, elas retratam histórias de vida recheadas de dureza, dificuldade, sofrimentos, traições e ressentimentos. As mulheres retratadas – a artista plástica mexicana Frida Khalo, a musicista chilena Violeta Parra e a revolucionária latina Juana Azurduy – têm histórias fantásticas, reais, mas não para o público infantil até 10 anos de idade, o público indicado é o adolescente.  Porque desenvolver em idades tenras os sentimentos de rejeição? De infidelidade? De traição? De sofrimento? Crianças precisam de amor, de carinho, de educação para o bem. Acredito que essas biografias só se tornariam aptas ao público infantil se menosprezassem a farta e prodigiosa história de vida dessas mulheres, mas daí pergunto: para podermos politizar e dar noções reais da dura vida em sociedade, é válido reduzir a história de vida dessas mulheres?

Eu não acho justo.

Fica então um desabafo. Leituras infantis precisam ser amenas sim, precisam propor amor, carinho, que a justiça tem que ser feita, enfim, precisa dar as primeiras noções de vida harmônica e justa em sociedade, e por que não, com final feliz?https://catraquinha.catracalivre.com.br/geral/familia/indicacao/colecao-infantil-antiprincesas-conta-historias-de-mulheres-inspiradoras/

Primeiro livro da coleção Antiprincesas, editado na Argentina pela Chirimbote Editora (2015).

Primeiro livro da coleção Antiprincesas, editado na Argentina pela Chirimbote Editora (2015).

Incentivo profissional para meninas

Hoje eu assisti um vídeo interessante (http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/10/141031_desigualdade_fd)  no qual um homem dizia porquê as mulheres tinham remunerações inferiores a dos homens. Ele concluía que as meninas desde cedo não são encorajadas para as áreas da ciência e matemática. Daí comecei a pensar mais sobre o assunto.

Quando a filhotinha nasce, pensamos num futuro lindo para ela. Almejamos os melhores desejos e realizações e queremos que seja muito feliz. Durante a primeira infância, pais – ambos – inserem mensagens de atuações profissionais para a linda menina. Será professora, será modelo, será advogada igual ao papai. Será designer de moda, de joias, enfim… é raro notarmos os pais falando que as filhas podem ser cientistas, engenheiras mecânicas, físicas ou químicas. Do lado oposto, os meninos, observamos os pais dando indicações claras para os filhos serem engenheiros da Ferrari, designer da Volkswagen, analista da Google, enfim, experts da ciência e da tecnologia.

Em resumo, socialmente e historicamente, transmitimos aos nossos filhos a velha situação social que era imposta aos homens e mulheres no passado. O homem é o provedor, o caçador, enquanto a mulher é a dona do lar, a cuidadora dos filhos, embora, hoje, a mulher esteja no mercado de trabalho, com tripla jornada e numa corrida sem fim.

Ocorre que o mundo evoluiu e se tornou competitivo, e homens e mulheres passaram a ter a mesma educação, ou seja, acesso aos mesmos conhecimentos e aos mesmos meios de se alcançar o conhecimento. O conhecimento está disponível de forma igual a meninos e meninas em todos os lugares: salas de aula, cinema, museus, tablets etc.

As meninas se tornaram tão acessíveis e íntimas de matérias relacionadas às ciências como os meninos a assuntos de sociologia e filosofia. As capacidades são igualmente formadas, mas a carga social que os gêneros recebem diferem.

Não é raro ver meninos que optam por computação ou engenharia quando não têm a menor afinidade pela área do conhecimento. Eles queriam ser sociólogos, professores, mas a sociedade impõe que sejam técnicos.

Gente, eles não têm a aptidão e competência para isso. A vocação! Daí iniciam os cursos e os abandonam após um ou dois anos, migrando para áreas que realmente se encontram como música, psicologia entre outras.

E as meninas? Algumas totalmente vocacionadas para os números sucumbem a áreas mais femininas como enfermagem, odontologia, psicologia pelo apelo social, mas, no entanto, elas queriam ser cientistas, astrônomas, engenheiras. Acabam sendo desperdiçadas em funções que não as realizam e diferentes de suas capacidades, ou seja, um conhecimento enorme sendo desperdiçado na área ou carreira errada.

O que quero dizer com isso? Que o mundo mudou. Que precisamos acompanhar essa mudança. Que temos que incentivar meninos e meninas a serem desde pequenos tudo que quiserem ser, tudo o que sonharem. Meninas podem ser cientistas e meninos podem ser bailarinos!  Essa carga de opções não influencia o gênero e nem determina nada na infância, apenas abre um leque de opções, que no mundo atual é podado para apenas alguma opções.

Pense nisso!

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